Do Alento ao Samadhi
Comala venha comala,
Alento venha venha,
Quando o ka te chama a dançar,
Um ka-tet novo assim se forma,
Comala venha alento,
O Samadhi dançaremos.
O divino tem muitos caminhos, inteligências infinitas sendo criadas a todo o momento. Seus alentos às vezes podem ser sutis e os sentimos apenas como uma brisa, mas que ao nos tocar mudamos de rumo quase sem perceber, outras vezes porem, o alento passa arrancando telhados e se torna perceptível, mas resistir será inútil. Do que adianta nadar contra correnteza se ela te empurra mais do que consegue aguentar, por que não ao contrario, aproveitar essa força para atingir novos e melhores locais, descobrindo novas possibilidades.
Esse alento que nos arrasta pelos calcanhares pode ser considerado negativo por muitos, mas não deixa de ser consequência de mais uma das inteligências do divino, talvez muito mais próximas e favoráveis de ti do que você imagina. Pode ser conseqüência direta de suas próprias potências inconscientes, agindo avassaladoramente a favor de ti mesmo, pois em algum momento se atingiu uma comunhão interna e externa de que esse será o melhor caminho para todos.
O alento nunca teve nada de bom ou ruim em si mesmo, é o que é como todas as outras coisas, e ao pararmos de perder tempo julgando o que esta acontecendo, podemos sentir tudo a nossa volta verdadeiramente em cada detalhe. Não apenas sentir, mas experimentar em gozo em todas as coisas e ser grato por isso, por tudo e por todos, pelo divino em ti e no próximo.
Nosso olhar não é imparcial, é obstrutivo, e se conseguirmos parar de construir com o olhar, podemos sentir o mundo como ele realmente é, ou esta, nesse momento, livre da nossa autoritária e desgovernada mente, maquina de continua criação, que manipula indiscriminadamente o que vê, construindo mais do que enxergando e confundindo os dois como a mesma coisa.
Sempre estivemos em um alento, e nunca deixaremos de estar, a não ser talvez pelos raros momentos plenamente meditativos, quando as barreiras de tempo e espaço (meras ilusões) são transcendidas. Mas agora, simplesmente aceita essa obra divina, se deixe levar nessa nova direção que te toma, multiplique ainda mais essa força, potencialize o todo e a si próprio! Agradeça, abençoe, ame.
A Essência do Caos
Caos, morte, guerra, sofrimento, dor, medo, desentendimento, desalinhamento, estranheza, incerteza, dúvida, estagnação, movimento, encontros, amparo, compassividade, compaixão, paz, unanimidade, sinergia, amor... tudo a mesma coisa: Caos. Do caos tudo nasce, para o caos tudo volta, morre, transmuta, mas dele nunca saímos.
Caos, a continua criação e transformação, incessante, inesgotável, inexorável, imprevisível. Alguns chamam de Deus, Krishina, Divino, Grande Arquiteto, o Todo Poderoso, alguns preferem não dar nome nem explicar, justificando que a criação não poderia realmente entender ou definir, ainda mais em uma palavra, o seu criador.
Lógica, emoção, sentidos e poder: caos, fonte de todas as potencias e ao mesmo tempo inexplicavelmente neutro. Alguns têm medo, temem, evitam, mas independente do medo, o tempo passa e a grama continuou a nascer sozinha sem ninguém precisar agir, pois o caos, o divino, não parou por um segundo.
Agir sem medo é agir com o coração, é não ficar parado, é criar continua e incessantemente de forma mais próxima daquilo do qual surgimos e nunca realmente saímos. Sem medo de suas próprias potencias e pretensões, bem como de todas as outras a sua volta, se unindo a elas e aceitando a igualdade da divergência, não separando o bem do mau, ainda mais: amando-as.
Amor, energia da criação, sinergia, processo pelo qual tudo se cria, a partir do nada (ou melhor, do caos), se transforma e potencializa a si mesmo, descobrindo novas formas, criando mais, amando mais, expandindo mais e mais rápido.
Chame tudo isso do jeito que quiser, explique do modo que achar melhor, entenda e sinta como for possível, reverencie, rejeite, tema, ame ou odeie. Mude tudo a sua volta e a opinião de todos, mas nada disso mudara sua essência da criação, apenas as coisas por ele criadas! Será o caos mudando a si mesmo, incessantemente continuando o que sempre fez, através seu caminho, caótico, luminoso, divino.
Coragem, Motivação e Força de Vontade
Coragem é, por definição clássica, a habilidade de lidar com o medo, dor, sofrimentos, incertezas ou intimidações. É uma característica ou atributo daquele que, mesmo com medo ou aflito pelas diversas conseqüências não desejáveis de uma determinada ação, segue em frente com seus atos e assume as conseqüências colhidas, sejam boas ou ruins.
Notemos que pela própria definição da palavra não existe coragem sem medo ou apreensão, ou seja, aquela ligação que muitas vezes fazemos de coragem com inconseqüência ou falta de noção simplesmente não é válida!
Primeiro passo seria então o medo, e para se ter medo é preciso estar ciente, seja de forma consciente ou inconsciente, dos resultados não desejados de sua ação. Segundo ponto importante é a força de vontade para transpor os avisos internos para seguir em frente com suas ações. Finalmente, temos como ultimo ponto marcante a força de caráter para assumir todas as conseqüências de seus atos, pois, acredito que por consenso geral, não temos como atribuir coragem a alguém que após passar por cima dos seus medos e seguir em frente com a ação, foge e direciona a outros as conseqüências gerais do ocorrido.
Em geral acredito que a coragem esteja intimamente ligada com a força de vontade, afinal é a força de uma vontade nova sobrepondo uma antiga que em geral significa ficar em sua zona de conforto. Porem muitas vezes a coragem só surge em momentos onde a opção de ficar na zona de conforto não existe mais ou se extinguira em pouco tempo. É preciso uma força de vontade muito maior para sair intencionalmente de sua zona de conforto indo atrás de novos resultados enfrentando de zonas de incertezas e riscos potenciais. Na maioria das vezes nos falta uma coisa: motivação.
Motivação é uma palavra que damos muito pouco valor em nossa sociedade, mas pode fazer toda a diferença em nossa vida: o limiar entre a estagnação e a superação.
Apesar de me parecer contraditório e até engraçado, nossa atual fonte de motivação mais utilizada atualmente é a insatisfação e indignação, seja com a sociedade, políticos ou nos mesmos. Significa que mais uma vez nos movemos pela necessidade, pela sensação da não existência de uma atual zona de conforto para nossa sobrevivência, ou seja, nos sentimos "obrigados" a fazer algo. Desculpe, mas essa é uma motivação fraca, limitadíssima e de curta duração.
Enquanto quisermos mudar o mundo porque ele esta errado e precisamos arrumar não veremos muita coisa realmente mudando, porem acredito que começaremos a ver algo quando a motivação que abastece nossa força de vontade se livrar desses dualismos ilusórios e começar a surgir através de verdadeiros ideais de melhorias, não porque algo esteja errado, mais por que é possível mudar, por que podemos, simplesmente queremos, e isso nos dará a verdadeira coragem de seguir em frente assumindo a conseqüência de cada ato.
Coragem de querer algo para nos mesmos e para o mundo, simplesmente por que é possível e podemos. Merecemos nos dar essa possibilidade, acreditar em nos mesmos e no mundo.
Caminho do Amor
É quando o medo se esvai e tensão some, nesse momento conseguimos novamente nos abrir a todas as possibilidades, aquelas que na verdade sempre estiveram lá e nunca se foram.
Quando a incerteza deixa de ser um problema e a aceitamos como algo natural, parte sempre presente do processo, sem a necessidade de ganhar ou de se chegar a qualquer lugar. Nesse momento encontramos novamente o mais antigo e puro dos caminhos, o caminho do amor, no qual podemos ir para qualquer lugar, adentrar a todos os mundos e continuar seguindo em frente, liberto, independente, desapegado.
Às vezes já somos capazes de encontrar novamente esse caminho, dar alguns passos em seus ladrilhos, mesmo que por pouco tempo, por essa antiga trilha da qual todos surgimos, tendo surtos e espasmos de verdadeira felicidade e energia cristalina, pura. Mas, ainda dura pouco. Até percebermos que pouco ou muito ainda é dualismo e que em um segundo universos nascem e somem, desaparecem sem ser percebido por aqueles que ainda se limitam pelo tempo.
Mesmo conscientes de que o acesso a essa energia passa pelo desapego, relaxamento e abertura as possibilidades, ainda nos prendemos novamente ao apego da ultima experiência e a necessidade de ter novamente algo parecido, que pode até mesmo ser possível, mas só será realmente de fácil acesso quando nos permitirmos as tantas outras possibilidades e desdobramentos.
Mas o consolador maior não é nem mesmo a possibilidade de retornar ao êxtase, é perceber que na verdade nunca saímos dele, e tudo de mais estático e fixo que encontramos pela frente são todas coisas geradas pelo mesmo fluxo, extensões do mesmo caminho maior. O Amor criou cada coisa existente, e em cada uma delas podemos ver o seu brilho e luminosidade ao ajustarmos nossos olhos e nossa mente. Ao libertarmos a nos mesmos, conseqüentemente levamos todos a nossa volta, já que na verdade surgimos do mesmo lugar, não somente iguais, não dois, não um.
Enquanto o medo da perda é o caminho para o lado negro, apesar desse ainda ser parte do caminho, a aceitação e relaxamento não reativo perante a incerteza é o caminho para sinergia, é o salto para o fluxo principal, a fonte, o oceano de onde surgiram todos os rios e muitos outros ainda nascem.
Que venha o Alento
Essa categoria será primordialmente diferente das outras.
Indo em uma linha diferente dos textos desse blog, que em geral buscam pesquisa e precisão, nessa categoria serão colocados textos fluidos, que surjam em determinados momentos do cotidiano sem nenhuma pretensão especifica, sem grandes revisões ou correções.
Será grande a possibilidade dos textos serem viajados, com erros gerais e sem clareza fora de seu contexto original. Risco assumido e avisos colocados, que venha o alento!
Arquétipos vs Expansibilidade
Ao longo de nossa vida formulamos não apenas um, mas diversos arquétipos e identidades, como os de nacionalidade, profissão, familiar, entre outros tantos dos quais realmente acreditamos ser cada um. Eles têm sua razão de existir, benefícios e utilidades, mas o apego e a seriedade dada a cada um deles talvez sejam as principais travas e limitadores de nosso progresso, formando bolhas mentais que dificilmente conseguem agregar algo novo e nem ao menos se misturam com outras identidades criadas por nos mesmos, cegas umas as outras, impedindo-nos de ver as coisas sobre pontos de vistas diferentes que poderiam nos fornecer novas respostas e meios melhores de se fazer as coisas que já sabemos.
Feminino e Masculino são os mais antigos e básicos arquétipos mentais do qual nos apegados, caracterizados pela forte divisão de deveres, obrigações, responsabilidades e atuações claramente definidas. Entretanto, cada vez mais visualizamos uma aproximação entre a esses dois estereótipos, masculino e feminino, onde cada lado tem ganhado cada vez mais características antes exclusivas do outro ou mesmo novas, quebrando mais tabus do que nunca antes na historia da humanidade, seja lutando por seus direitos ou saindo do armário, se permitindo a coisas antes impensáveis, fazendo-nos perceber que a rigidez e a certeza em nossa realidade que antes eram tão fortes, agora desmoronam cada vez mais rápido.
Normalmente quando grandes bolhas mentais estouram em primeiro momento sentimos um grande sofrimento, que pode ser percebido como a própria homofobia que conhecemos bem, mas vamos visualizar um exemplo bem mais básico: fim de namoro, aquele que idealizamos tanto, seguindo um padrão social que tentamos seguir ao pé da letra, noivar e casar (mesmo em casamentos gays), alguns seguindo regras que dizem até em qual encontro que se pode transar sem ser puta ou etc. Até que a ilusão inicial passar e percebemos que nada é realmente como nos disseram, o príncipe cai do cavalo, só que às vezes ele acerta uma pedra no tombo e não resiste ao traumatismo.
Com o passar do tempo e com alguns estouros de bolhas mentais já sofridos normalmente sofremos menos, às vezes por nos tornarmos rígidos e céticos ao mundo perdendo todo o romantismo, mas com alguma sorte em vez de ganhar traumas podemos perceber aos poucos que nada é realmente tão solido quanto pensamos, que na verdade, a vida não é tão certa e nem tão seria quanto parece. Por mais que a primeiro momento possa parecer triste que o conto de fadas não seja verdadeiro, em um segundo momento podemos nos deslumbrar com as possibilidades, ao perceber o mundo é muito mais amplo do que conseguíamos enxergar, assim como nosso potencial de atuação, que nunca o exploramos de verdade, sempre foi bem maior.
Ao nos permitimos sentir coisas novas nossa visão fixa da realidade começa a amolecer, abrimos mão das sensações que estamos acostumados e nesse momento esquecemos um pouco de nos mesmos, ou pelo menos daquilo que acreditamos que somos, e nos desprendemos um pouco de algumas ilusões de identidade, percebendo nosso potencial para ser qualquer outra coisa, mesmo que talvez ganhando outra nova identidade ilusória.
Em um conhecido ditado Zen Budista dizem que "conhecer a si mesmo significa esquecer-se de si mesmo", dando a entender que somente saberemos o que somos a partir do momento que desvencilharmos de todas as ilusões de identidades que criamos. Seguindo essa mesma linha de raciocínio conhecer sua essência não seria tão somente descobrir algo novo ou agir de alguma maneira específica, mas reconhecer e treinar sua capacidade de movimento, de ser e sentir qualquer coisa, de andar livremente pelo mundo sem se limitar a nada.
Racionalização vs Experimentação
De maneira geral, seres humanos do sexo masculino tendem a um censo racional e intelectual maior que a média do outro sexo, lembrando: é uma tendência, não uma regra. Porem esses seres "tão evoluídos intelectualmente" costumam perder a capacidade da experimentação, de viver plenamente as experiências e todas as oportunidades que vem com ela, chegando diversas vezes a um estado de inércia onde o potencial do intelecto se perde inutilmente sem ter o que realmente analisar ou entender.
Ao contrario desses últimos, seres humanos do sexo feminino costumam viver imersas em suas vivencias, experimentando e se deixando levar por cada sensação que surge, o que por sua vez, ao contrario do racionalismo inerte masculino, faz com que grande parte das mulheres sejam arrastadas pela vida com pouquíssimas oportunidades de entender o que esta realmente acontecendo, perdendo diversas oportunidades de tomada de decisões criticas que podem mudar suas vidas conforme suas vontades.
Inércia ou descontrole contínuo, temos mesmo que escolher um desses extremos? Tudo que existe ou acontece pode ser analisado e racionalizado, da mesma forma como pode ser vivido plena e intensamente! Não existindo certo ou errado, também não existem coisas que não devam ser racionalizadas ou não devam ser vividas, o que acontece é q por diversas vezes não temos capacidade de fazer os dois ao mesmo tempo, temos de escolher qual das duas vertentes seguir.
Às vezes não vale à pena racionalizar, mas não porque "não devemos", simplesmente porque ainda não temos embasamento para fazer isso, e nesses casos a vivencia acaba sendo muito mais enriquecedora. Antes de começar a dar palpites, julgar ou tomar grandes decisões é imprescindível viver, experimentar, sentir e se deixar levar pura e simplesmente.
O que acontece porem quando queremos viver e não conseguirmos parar de analisar? Ou queremos analisar e não conseguimos deixar de ser arrastados? Os dois sexos por diversas vezes se encontram nessas duas situações, pois simplesmente não conseguimos fazer a transição de estado de forma consciente, na verdade ainda nem mesmo sabemos como fazer isso.
Mesmo que ainda não tenhamos a chave para o controle entre experimentação e racionalização, o simples ganho de consciência entre esses estados podem ser o ponta-pé para trabalhar numa vida menos extremista e a busca para conseguir o melhor dos dois mundos.
O Papel das Religiões na Sociedade
Desde os primórdios os seres humanos já estavam envoltos em diversas atividades sociais primitivas, como a caça e tantas outras visando à sobrevivência, mas justamente por extrapolarmos e inovarmos todas as atividades sociais é que nos destacamos e avançamos mais que outras espécies. Esse pode não ter sido o único ponto que nos fez chegar onde estamos hoje, mas foi com certeza um dos mais importantes, que inicialmente não precisa ter acontecido conscientemente, muito provavelmente aconteceu como descrito na teoria da evolução de Darwin, ou seja, como uma anomalia, uma exceção a regra geral que tenha nos destacado e dado uma nova posição na cadeia alimentar.
Porem em algum momento, talvez também por puro acaso, ganhamos um segundo empurrão na escala evolutiva: ganhamos consciência do que estávamos fazendo! Percebemos a sinergia ganha com o trabalho em grupo, das vantagens de uma estrutura social, e evoluimos mais e mais nesse conceito. Mas como sabemos que nem tudo são flores, percebemos também que não era tão fácil assim, viver em sociedade pode ser desastroso quando não abordado de forma correta, requer muitos cuidados e mais do nunca: comunicação, que por si só se tornou para nós uma arte e uma ciência!
Visualizemos alguém ganhando consciência disso tudo (ou parte disso) e decidindo trabalhar o conceito, após certo estudo e querendo aplicar suas novas teorias, concebe uma estrutura social com leis, regras, padrões de bom censo, algumas noções comportamentais básicas, saúde, higiene, etc e etc, mas tudo isso em uma sociedade primitiva, totalmente alheia, sem estudo ou mesmo noção de raciocínio lógico formal necessário, somente preocupada com a auto-sobrevivência e subsistência.
Uma das maneiras mais efetivas de se atribuir regras e leis quando não se consegue explicar aos outros o motivo ou vantagens delas é atribuí-las a algo maior, superior, que deve simplesmente ser seguido, seja com idéia de um lider com aptidões divinas, ou pela combinando com conceitos metafísicos que os justifiquem. Isso te lembrou algo?
A religião foi e ainda é muito utilizado para estruturação, manipulação e controle de diversas sociedades, muitas vezes de maneira perversa e destrutiva, mas não é algo negativo quando se tem boa índole e não há outro meio de criar essa grande sinergia de trabalho em grupo, pelo menos até que os indivíduos estejam prontos para entender o porquê estão fazendo tudo aquilo, quais as vantagens e desvantagens.
É natural que aos poucos, com a evolução da sociedade em geral, esses antigos sistemas de controle se tornem cada vez menos consistentes e necessários, sendo assim a religião foi com o tempo, cada vez mais, se afastando da política. Não precisamos mais de leis divinas ou medo de ir para o inferno para entender e aplicar boas práticas de convivência ou mesmo coisas mais básicas sobre saúde e higiene que podem dobrar nossa expectativa de vida.
Esse afastamento religioso já era previsto por grandes pensadores e filósofos como o postumamente aclamado Friedrich Nietzsche, mas segundo eles, a sociedade um dia iria se achar livre de todo e qualquer resquício religioso, o que não é o que parece estar acontecendo.
Algumas religiões com conceitos não exclusivistas que preservaram muitos de seus conceitos de maneira mais lógica e racional durante os séculos estão não somente sobrevivendo, mas às vezes se tornando ainda mais fortes e relevantes atualmente, ganhando terreno em terras que nunca tinham antes tocado. Um bom exemplo disso é o budismo, alem de invadir a vida ocidental, nas ultimas décadas vem trabalhando em paralelo com a ciência em novos estudos psicológicos e neurocerebrais.
Alem das antigas, novas religiões continuam a surgir com o tempo, tecendo novos conceitos e ganhando muitos adeptos, muitas vezes baseados no que alguns chamam de “fé raciocinada”, como o Espiritismo codificado por Allan Kardec. Várias delas podem servir de um ótimo impulso a novos estudos, dando uma previa a conceitos hoje considerados metafísicos, mas que estão aos poucos despertando o interesse por cientistas do mundo todo.
A sua forma, o ateísmo e o materialismo tiveram um forte efeito positivo em nossa evolução social, nos ajudando a manter um olhar mais racional e questionador perante o mundo e a nos mesmos, nós afastando aos poucos do pensamento irracional divinamente justificado. No entanto, essa mesma linha de raciocínio quando levada de modo extremo pode se tornar tão perigoso, de alguma forma religiosamente dogmática, quanto tudo o que ele é contra.
No final não estamos imunes de algum efeito colateral do nosso afastamento religioso, alguns dos antigos conceitos que antes eram divinamente explicados e acabamos por deixar para trás podem sim ter um impacto positivo em nossa vida quando praticamos, ou mesmo podem ter conceitos que nossa atual sociedade ainda carece de alguma forma, pois não aprendemos o real significado de vários deles em nossa vida, como o amor, humildade e perdão, que antes não tinham como ser explicados de outra forma senão mascarados por parábolas e fabulas fantasiosas. Talvez hoje esses conceitos abstratos e seus efeitos possam ser mais bem explicados pela ciência e aplicados de forma racional em nosso dia a dia.
O grande papel das religiões em nosso século será de abrir nossa mente para novas e grandes possibilidades, quebrando barreiras, paradigmas e condicionamentos sociais, alem de resgatar conceitos sociais básicos que ainda hoje não foram bem trabalhados, isso tudo somente se nos permitirmos percorrer esse caminho de forma saudável, sem nos limitarmos a somente um ou outro ponto de vista, seja ele religioso, científico ou filosófico.
Definindo Religião
Pesquisando etimologicamente a palavra religião vem do latim religare ou religio, com sentido de re-conectar, de restabelecer laços ainda em vida com o criador, Deus, Cosmo ou de algum estado pleno ou original. Buscando com isso tornar seus praticantes melhores que antes de alguma forma.
Sempre muito próxima da filosofia, religiões em geral têm um caráter metafísico revelativo, seu objetivo inicial é responder perguntas difíceis, a maioria delas feitas desde o tempo que engatinhávamos na autoconsciência, com temas que nossa ciência humana esta longe ou tem grande dificuldade de responder, como vida após a morte, gênese e objetivos existenciais.
Alem de perguntas totalmente metafísicas, algumas religiões nasceram da tentativa de explicar coisas mais rotineiras do dia a dia, como as origens e cessações da dor humana, que no caso do budismo acabou levando a todo um estudo, pratica e filosofia milenar sobre a mente. Já outras nasceram de eventos específicos, como experiências científicas do século passado sobre magnetismo que esbarraram no que foi definido como efeitos inteligentes autônomos, dando origem ao Espiritismo de Allan Kardec e toda uma abordagem sobre vida após a morte.
Mas de longe, a principal característica que define cada religião e seus praticantes é uma: o caminho, basicamente formado de dogmas e ritos, que formam o comportamento sugerido para efetivamente realizar seu religamento com algo superior, como por exemplo: rezar para ir pro o céu, meditar para atingir a iluminação ou pratica da caridade para evolução espiritual.
As religiões já foram usadas massivamente por causas egoístas, usando o nome de Deus para massacres com máximas e dogmas como justificativa para tragédias sangrentas, porem do mesmo modo que não se pode julgar uma cultura por atos isolados, não podemos julgar uma religião inteira por indivíduos extremistas e destoantes do contexto geral.
Em ultima análise as religiões têm um objetivo final comum: Amor. Possuem sempre alguma máxima que, mesmo tendo suas variações, têm o mesmo significado do ditado cristão: "não fazer para o próximo que não gostaria para si mesmo", servindo assim como uma base de boas praticas para todo comportamento social da população, afastando-nos da selvageria e buscando impulsionar nossa evolução de algum modo.
Os bons Extremistas
Visto pela maioria como algo negativo, o extremismo é comumente ligado ao dogmatismo, ao fanatismo e à tentativas de imposição de opiniões e estilos de vida, ou seja, quando chamamos alguém de extremista normalmente queremos dizer que aquela pessoa ficou obcecada por uma idéia, se fechando a todas as outras, muitas vezes tentando convencer a todos para sua verdade absoluta.
Esse é mais um caso onde a cultura popular trabalha e molda expressões de acordo com nosso dia a dia, porem, em sua bagagem etimológica, o extremismo não carrega nenhum desses valores unilaterais e absolutos, possuindo inicialmente apenas a idéia básica de se atingir os extremos de uma linha ideológica, doutrinária ou de raciocínio, não sendo necessário para isso ficar obcecado e se fechar a opiniões contrarias.
Como exemplo de um uso etimológico puro de um extremista, podemos visualizar um fotografo, não um simples fotografo, mas um que botou em sua cabeça o desejo tirar a mais linda das fotos do pôr do sol, que para isso gastou um bom tempo estudando os melhores locais, ângulos, geografias, e após muita pesquisa chega à conclusão que o melhor local é o pico conhecido como o mais alto do planeta, que se encontra quase do outro lado do globo de onde mora, sendo que para tirar a foto precisará realizar uma grande excursão, longas viagens internacionais, escaladas em terrenos perigosos com altos níveis de mortalidade, e claro, sem o dinheiro necessário para conforto, tudo isso para tirar a foto perfeita, de um modo que nenhum outro fotógrafo jamais tinha feito antes.
Ou seja, o termo extremista, quando livre de todos os valores populares que lhe agregaram, é usado para todo aquele que sai do comportamento médio, normal, que alveja os limites do que já foi feito ou pensado, indo aos extremos do pensamento humano, é aquele que faz a diferença e se desprende dos limites, que na maioria das vezes existem apenas em nossa própria mente.
Não é muito difícil, porem, entender o motivo das conotações negativas aos extremistas, sendo facilmente reconhecidos pelo menos dois motivos:
Primeiro ponto: para conseguir algo novo é muitas vezes necessário contradizer muitos dos conceitos atuais fortemente estabelecidos, desmentir ou contradizer figuras grandiosas, nomes constantemente prestigiados, quebrar tabus e etc, etc, sendo somente esse primeiro passo o bastante para trazer má fama a aqueles que ousam quebrar essas barreiras, pois o rompimento com esses padrões previamente estabelecidos simplesmente desagrada aqueles que estão confortáveis nessa realidade. Chamaram todo aquele que ir contra a corrente de louco, subjugarão suas idéias, sua pessoa e seus méritos.
Porem, isso não é o pior, o maior dos problemas esta nos próprios seres humanos que extrapolam os limites, pois para sustentarmos toda essa quebra de paradigmas e condicionamentos sociais, junto com toda a oposição que geralmente é criada, acabamos por nos prender a outros e novos paradigmas. Em vez de permanecer com nossa mente aberta, ficamos obcecados pelas descobertas, maravilhados com as conquistas, tomando esse novo conhecimento e descobertas como o novo absoluto! Mesmo quando os objetivos são nobres e em busca de um bem maior, nossos egos podem ser tão inflados que facilmente nos colocamos como o messias de uma nova era, senhores de uma nova verdade absoluta e definitiva.
Vejam, o problema não esta em ter um ideal distinto e claro ou em acreditar nos seus sonhos, indo até o fim de uma idéia, mas sim no fanatismo, na imposição, na não aceitação de outros ideais, caminhos e verdades. No final, a maior parte de todos os nossos problemas estão em nosso próprio ego.
Tomando os devidos cuidados, tendo em mente os riscos envolvidos e se afastando do absolutismo, não há o que temer, os extremos são nosso alvo, eles podem e devem ser alcançados, pois sem isso não sairemos da mediocridade!
Não fosse nossa capacidade de extrapolação poderíamos estar ainda batendo em pedras e vivendo como nômades em cavernas, apenas sobrevivendo, dia após dia, lutando pela próxima refeição!
Sejamos todos bons extremistas, no sentido mais puro da palavra!