Tao Blog Em busca do Conhecimento

23out/11

Arquétipos vs Expansibilidade

Ao longo de nossa vida formulamos não apenas um, mas diversos arquétipos e identidades, como os de nacionalidade, profissão, familiar, entre outros tantos dos quais realmente acreditamos ser cada um. Eles têm sua razão de existir, benefícios e utilidades, mas o apego e a seriedade dada a cada um deles talvez sejam as principais travas e limitadores de nosso progresso, formando bolhas mentais que dificilmente conseguem agregar algo novo e nem ao menos se misturam com outras identidades criadas por nos mesmos, cegas umas as outras, impedindo-nos de ver as coisas sobre pontos de vistas diferentes que poderiam nos fornecer novas respostas e meios melhores de se fazer as coisas que já sabemos.

Feminino e Masculino são os mais antigos e básicos arquétipos mentais do qual nos apegados, caracterizados pela forte divisão de deveres, obrigações, responsabilidades e atuações claramente definidas. Entretanto, cada vez mais visualizamos uma aproximação entre a esses dois estereótipos, masculino e feminino, onde cada lado tem ganhado cada vez mais características antes exclusivas do outro ou mesmo novas, quebrando mais tabus do que nunca antes na historia da humanidade, seja lutando por seus direitos ou saindo do armário, se permitindo a coisas antes impensáveis, fazendo-nos perceber que a rigidez e a certeza em nossa realidade que antes eram tão fortes, agora desmoronam cada vez mais rápido.

Normalmente quando grandes bolhas mentais estouram em primeiro momento sentimos um grande sofrimento, que pode ser percebido como a própria homofobia que conhecemos bem, mas vamos visualizar um exemplo bem mais básico: fim de namoro, aquele que idealizamos tanto, seguindo um padrão social que tentamos seguir ao pé da letra, noivar e casar (mesmo em casamentos gays), alguns seguindo regras que dizem até em qual encontro que se pode transar sem ser puta ou etc. Até que a ilusão inicial passar e percebemos que nada é realmente como nos disseram, o príncipe cai do cavalo, só que às vezes ele acerta uma pedra no tombo e não resiste ao traumatismo.

Com o passar do tempo e com alguns estouros de bolhas mentais já sofridos normalmente sofremos menos, às vezes por nos tornarmos rígidos e céticos ao mundo perdendo todo o romantismo, mas com alguma sorte em vez de ganhar traumas podemos perceber aos poucos que nada é realmente tão solido quanto pensamos, que na verdade, a vida não é tão certa e nem tão seria quanto parece. Por mais que a primeiro momento possa parecer triste que o conto de fadas não seja verdadeiro, em um segundo momento podemos nos deslumbrar com as possibilidades, ao perceber o mundo é muito mais amplo do que conseguíamos enxergar, assim como nosso potencial de atuação, que nunca o exploramos de verdade, sempre foi bem maior.

Ao nos permitimos sentir coisas novas nossa visão fixa da realidade começa a amolecer, abrimos mão das sensações que estamos acostumados e nesse momento esquecemos um pouco de nos mesmos, ou pelo menos daquilo que acreditamos que somos, e nos desprendemos um pouco de algumas ilusões de identidade, percebendo nosso potencial para ser qualquer outra coisa, mesmo que talvez ganhando outra nova identidade ilusória.

Em um conhecido ditado Zen Budista dizem que "conhecer a si mesmo significa esquecer-se de si mesmo", dando a entender que somente saberemos o que somos a partir do momento que desvencilharmos de todas as ilusões de identidades que criamos. Seguindo essa mesma linha de raciocínio conhecer sua essência não seria tão somente descobrir algo novo ou agir de alguma maneira específica, mas reconhecer e treinar sua capacidade de movimento, de ser e sentir qualquer coisa, de andar livremente pelo mundo sem se limitar a nada.

2out/11

Racionalização vs Experimentação

De maneira geral, seres humanos do sexo masculino tendem a um censo racional e intelectual maior que a média do outro sexo, lembrando: é uma tendência, não uma regra. Porem esses seres "tão evoluídos intelectualmente" costumam perder a capacidade da experimentação, de viver plenamente as experiências e todas as oportunidades que vem com ela, chegando diversas vezes a um estado de inércia onde o potencial do intelecto se perde inutilmente sem ter o que realmente analisar ou entender.

Ao contrario desses últimos, seres humanos do sexo feminino costumam viver imersas em suas vivencias, experimentando e se deixando levar por cada sensação que surge, o que por sua vez, ao contrario do racionalismo inerte masculino, faz com que grande parte das mulheres sejam arrastadas pela vida com pouquíssimas oportunidades de entender o que esta realmente acontecendo, perdendo diversas oportunidades de tomada de decisões criticas que podem mudar suas vidas conforme suas vontades.

Inércia ou descontrole contínuo, temos mesmo que escolher um desses extremos? Tudo que existe ou acontece pode ser analisado e racionalizado, da mesma forma como pode ser vivido plena e intensamente! Não existindo certo ou errado, também não existem coisas que não devam ser racionalizadas ou não devam ser vividas, o que acontece é q por diversas vezes não temos capacidade de fazer os dois ao mesmo tempo, temos de escolher qual das duas vertentes seguir.

Às vezes não vale à pena racionalizar, mas não porque "não devemos", simplesmente porque ainda não temos embasamento para fazer isso, e nesses casos a vivencia acaba sendo muito mais enriquecedora. Antes de começar a dar palpites, julgar ou tomar grandes decisões é imprescindível viver, experimentar, sentir e se deixar levar pura e simplesmente.

O que acontece porem quando queremos viver e não conseguirmos parar de analisar? Ou queremos analisar e não conseguimos deixar de ser arrastados? Os dois sexos por diversas vezes se encontram nessas duas situações, pois simplesmente não conseguimos fazer a transição de estado de forma consciente, na verdade ainda nem mesmo sabemos como fazer isso.

Mesmo que ainda não tenhamos a chave para o controle entre experimentação e racionalização, o simples ganho de consciência entre esses estados podem ser o ponta-pé para trabalhar numa vida menos extremista e a busca para conseguir o melhor dos dois mundos.

20jan/11

O Amor puro e simples

Amor, definitivamente, não é um tema simples de se discutir, mas dentre todas as racionalizações emocionais que podemos fazer, este é muito provavelmente o tema mais importante, aquele que realmente pode fazer a diferença na evolução de toda humanidade.

Nesse primeiro texto sobre o assunto pretendo dar um tom mais intimista, pois gostaria de, humildemente, dar a minha opinião e experiência pessoal, até para que fiquem claros os conceitos que direcionarão os próximos textos.

Mais de cinco anos após a última vez que escrevi algo sobre amor, percebo o quanto de experiência real acumulei com o tema, experiência essa que quase sempre demonstra que, na prática, tudo é muito mais complicado que na teoria, e com a prática ganhamos no mínimo mais humildade para o debate.

Enquanto o mundo inteiro divide e classifica o amor de diversos modos diferentes, como amor de pai/mãe, de irmão, de amigo, de casal, ou como Eros, Ludus ou Ágape, eu sempre fui pelo caminho contrario e busquei a definição mais simples, aquele ponto em comum em todas essas classificações, aquela partícula indivisível que pudesse, definitivamente, ser chamada de amor.

Minha conclusão do que acabei chamando de "verdadeiro amor", o mais puro e simples possível, foi e continua sendo "querer bem acima de todas as coisas", no entanto, nada melhor do que algumas pancadas da vida para deixar claro que estou estamos todos muito longe disso!

Se resumido dessa simples forma, só poderíamos atribuir ao amor poucas características, como: incondicional, atemporal e independente, seja de raça ou crença, e independente inclusive se o ser amado é a sua mãe ou sua parceira sexual, ou seja, o mesmo amor para cada um.

Não por poucas vezes já fui fortemente questionado por causa disso, afinal, se eu amo minha parceira como amo minha mãe, por que não peço logo minha mãe em casamento? Extremismos a parte, claro que não é bem assim, tanto não é que um ditado cada vez mais popular nos diz que "só amar não é o bastante em um relacionamento".

Alem do amor existem muitos sentimentos e atos que combinados constituem uma relação amorosa padrão como hoje conhecemos, fatores esses tanto positivos quanto negativos: amizade, sexo, cumplicidade, carinho, carência, ciúmes, diversos tabus da sociedade, e um ponto que, em minha opinião, é o mais importante de todos: o simples fato da escolha, de terem escolhido o parceiro para passar, pelo menos, um bom período de suas vidas, isso muda tudo: a simples escolha.

Acredito que boa parte de tudo do que as pessoas normalmente classificam como amor em um relacionamento muitas vezes não passa de um mal entendido, ou de uma generalização extrema dessa palavra em nossa sociedade. Exemplos? Quer coisa pior do que classificar nosso ciúme doentio, nosso apego irracional ou outras tantas como amor? Por vezes sem nem conseguir imaginar que nossos ex-namorados possam e serão felizes com outra pessoa, sem você, sem o seu... Amor?

Independente de filosofia ou religião, a vida me diz que o amor é muito mais do que casar e ter filhos, muito além da amizade e do carinho, e ao mesmo tempo é muito mais simples e muito maior do que qualquer uma dessas coisas!

Definitivamente Amor é algo que vale a pena ser considerado e repensado. Esse tema será aqui trabalhado e aprimorado, lapidando a minha e, se possível, a nossa visão geral sobre o mais poderoso dos sentimentos e emoções.

13jan/11

Teoria do Cérebro Trino

Como primeira parte do estudo proposto na categoria racionalizando emoções será avaliada a teoria do cérebro trino, um importante estudo do ultimo século que mostrou, mesmo materialmente falando, a complexidade das emoções e sentimentos, mesmo sem a necessidade de se atingir campos filosóficos e religiosos.

Físico e neurocientista, com importantes contribuições nas áreas de psicologia e psicoterapia, Paul D. MacLean é mais conhecido pela sua teoria elaborada em 1990 sobre o cérebro trino.

Sua teoria se baseava em três divisões biológicas do cérebro, constituindo ligações diretas com a teoria da evolução das espécies e com a teoria de formação da personalidade segundo Sigmund Freud.

A primeira e mais primitiva dessas divisões seria o cérebro reptiliano, também chamado por MacLean de "R-complex", constituída pela medula espinhal e as formações cerebrais mais básicas, seria responsável pelos nossos instintos mais básicos de sobrevivência, com pouca ou quase nula noção de conseqüências negativas de suas ações no mundo a sua volta. Fortemente ligado a agressão, dominância e comportamentos territoriais, essa divisão ganhou esse nome a partir de estudos neurocerebrais em repteis e aves que demonstravam cérebros estavam dominados principalmente por essa estrutura física básica.

A segunda divisão seria o cérebro dos mamíferos inferiores, também conhecido por emocional ou paleomamífero. Sua formação teria algumas partes básicas do reptiliano com adição de estruturas mais complexas, focando principalmente no sistema límbico, responsável pela motivação/felicidade e comportamentos emocionais mais desenvolvidos focados no meio em que vive, o que teria gerado estruturas sociais mais complexas entre esses seres.

Como ultima divisão na teoria do cérebro trino temos o cérebro racional, que teria fornecido a nós humanos a capacidade da fala, abstração, planejamento e percepção, gerando assim os mais complexos comportamentos sociais e deslanchando nossa evolução. Seria constituído pela junção das duas ultimas partes com o córtex telencefálico, que segundo MacLean é exclusivamente humano, fornecendo nossas capacidades superiores e nos diferenciando dos primatas.

A teoria de Maclean sobre o cérebro trino nunca foi totalmente aceita na comunidade cientifica e, mais atualmente, com base em estudos neurais complexos em animais, foi verificado que as estruturas cerebrais de diferentes classes animais não seguem vários dos preceitos propostos pela teoria.

De qualquer modo há de se observar que toda a área de estudos neurocerebrais não tinha qualquer consenso em sua época até a chegada de técnicas de analise modernas. E não há como negar os avanços conseqüentes dos estudos de MacLean, principalmente no que se refere ao sistema límbico do dito cérebro emocional, servindo fortemente como base para muitas outras teorias bem aceitas e difundidas atualmente.

Indo ainda além, esse tipo de estudo, surgido ainda no final do século passado, juntamente com a onda de estudos psiquiátricos e psicológicos vindos desde os anos 80, trouxeram toda uma nova cadeia de considerações, pensamentos e dúvidas a cientistas e materialistas, que a muito tinham deixado questões comportamentais ligadas a sentimentos e emoções somente para filosofia, religiões e metafísica em geral.

Esse tipo de questão não é para somente uma parcela da população, é para todos aqueles que vivem juntos, em uma cidade ou grupos em geral. Hoje não faltam estudos que comprovem q a evolução humana esta intrinsecamente ligada ao seu comportamento social, sendo assim, com a melhoria do próprio comportamento social, com o entendimento e racionalização do que sentimos e de nossos impulsos, podemos engrenar cada vez mais na busca do conhecimento e da evolução.

Independente de filosofo, religioso, místico, cientista e/ou materialista, somos seres humanos e estamos juntos, interdependentes, na busca da felicidade.

12jan/11

Racionalização de Emoções e Sentimentos

Nesse blog os textos serão organizados e divididos em categorias distintas, cada um com um objetivo e propostas diferentes. A primeira delas propõe algo que, em teoria, não é nada complexo, mas que ainda nos da muito trabalho e impõe mais dúvidas do que soluções.

Nossos dias hoje estão conturbados, falta tempo, cobranças vêm de todos os cantos e somos puxados em nossos máximos a cada momento, mas a questão é: esse é realmente nosso máximo?

A meta desse blog é a busca pelo conhecimento, o que nos leva obrigatoriamente a uma expansão de consciência, que principalmente quando bem aproveitada nos leva a novos pontos de vista, novos métodos e caminhos, em sua maioria melhores.

O primeiro conhecimento aqui buscado será o mais básico de todos, ignoraremos a mais nova tecnologia e voltaremos a origem de tudo: O que nós somos? O que sentimos? O que fazemos?

O entendimento e classificação do comportamento humano, focando em nossos sentimentos e emoções, não é um assunto novo, pelo contrario, foi foco de nossos mais antigos pensadores e filósofos, se tornando a origem de muitas das principais ciências atuais.

Porem não será feita simplesmente uma revisão de tudo que já sabemos, ao contrario, tentaremos obter o que estava escondido nas primeiras leituras. Usaremos nosso conhecimento e novos pontos de vista para discutir e considerar o que ignoramos antes.

Entendendo de si próprio como animal que somos, antes mesmo de nossa identidade humana, nos permitira entender aonde chegamos e como chegamos, para assim, usando novamente nosso verdadeiro potencial humano, traçarmos novos e melhores caminhos.