Mente e Coração Despertos
Cada um ao seu modo, cada um com suas potencias. Características únicas e igualmente poderosas que não podem ser negadas, muito menos suprimidas. Ainda mais interessante do que a simples coexistência natural deles, é que cada um ganhe consciência do outro, e que o espaço harmônico de livre ação entre eles possa ser preservado sem necessidade de desligamento de um para que o outro atue.
Um não negando o outro, a mente dando espaço ao coração e as emoções como um observador não julgativo ou obstrusivo, e o coração sem passar por cima das sinapses arrastando as percepções da lógica, em uma palavra: harmonia.
Completude pode ser uma palavra ambígua e perigosa se usada ao leu sem perceber suas implicações, mas tomando os devidos cuidados, ela talvez seja a que melhor descreva a sensação que se tem ao atuarmos através de nossas potencias inerentes antes negadas. Prazer, essa talvez seja a segunda palavra para descrever tudo isso, iniciada com acolhimento e confiança, pela lucidez ao se ultrapassar a ilusão aprisionante dos medos, na leveza do ir e vir nessa deliciosa caminhada interior.
Se entregando um ao outro dando luz à vida, dando prazer ao próximo e a si mesmo a capacidade de sorrir de tudo e de todos, novamente como uma criança, independente de todos os importunos que apareçam em nossa vida.
Felicidade não é uma dádiva, é uma potencia a ser trabalhada, é a trilha, o meio, o fluxo pelo qual todos os outros caminhos surgem e correm cada vez mais rápido. Sem esperar recebermos resquícios dessa fonte, nos tornamos seu gerador, para nos mesmos e para todos a nossa volta.
Do Coração para a Mente
Aos poucos percebemos que a energia nunca flui em uma só direção, pelo mesmo caminho que veio ela também volta e surgem os ciclos, dos ciclos surge a vida. Cada fase e cada estado são únicos, com suas potencias e qualidades, por vezes inexplicáveis ou até inatingíveis pelos outros, mas ainda assim sinergéticos entre si quando houver respeito e espaço de ação para cada um livremente.
A nossa era atual apostou sua energia e atenção nas potencias da mente, mas não contente, junto com isso negou todas as outras, transformando a lógica humana em uma ditadura controladora da massa emocional, o um para tudo fazer e todos controlar, esquecendo de tudo que os outros têm para oferecer quando libertos. Cartase, essa é explosão energética da revolução interior, é nosso coração exigindo sua liberdade a muito negada, dizendo não a opressão das qualificações lógicas, pelo direito de trabalhar do seu modo.
Harmonia é sinônimo de respeito, pois é o que ganhamos quando permitimos que cada camada de nosso ser atue livremente, sem partir de um pressuposto, sem a obrigação de se chegar a qualquer lugar especifico. Porem, por mais que muitos confundam, harmonia não é sinônimo de equilíbrio: não se trata de igualdade, não se espera que cresçam igualitariamente, por vezes um se expandira muito mais que o outro e impedir isso é dizer não a evolução, mais que isso, é oprimir aquele que quer e pode ser ainda mais do que antes.
Da mente para o coração, do coração para a mente, da Shákit para o Shiva e vice-versa: sinergia. Pelo direito de livre ação de cada potencia e pela nossa capacidade búdica de multiplicá-las.
Da Mente para o Coração
Como é sermos capazes de explicar o que sentimos? Como racionalizar um sentimento que é o motivo de nossa criação, que nos move no ontem, no hoje e no amanhã, mesmo sem que percebamos? Como descrever essa descoberta de algo que já nos pertence desde sempre, e que hoje nos encanta, que transborda sem motivos maiores.
Felicidade, benção, gratidão... que palavras usar para deleitar os ouvidos e olhos de outrem com essas sensações? É uma experiência onde se fala o que sente, para que se sinta o que é falado. Mas seriam minhas palavras mais poderosas, do que outra forma diversa de transmitir, o que o meu ser sente? Não quero que estas percam sua força diante desse coração que desabrocha em flor, mas sei que jamais perderiam, pois falamos de algo maior, de sinergia, onde mais do que se soma, onde novos produtos dessas emoções são criados, e onde nada perde sua importância, tudo faz parte de uma beleza íntegra e mutável ao mesmo tempo.
Mas hoje, algo mais nos liga além de palavras, pensamentos, idéias em comum. Hoje a palavra chega a hesitar entre tantos sorrisos, e é quando os olhos tomam conta. Tu retornas a ser o menino dos olhos simétricos novamente, mas agora com algo mais entre este espaço que não nos separa, mas nos une. Sutil conexão, arrebatadora atração, difícil de explicar, fácil de entender. Tanto meus olhos disseram a ti... se entendestes, não sei, mas por esta porta, pude ver que tua alma me recebeu de braços abertos. E o sentido das coisas se revelou por si só.
O sentido da existência, o sentido do sentir, a sabedoria de nosso corpo e do nosso espírito desperta diante de tamanha chuva de amor e querer, diante dessa conexão, desse penetrar de energia de um ser ao outro, até onde não existe mais limite de separação. Se hoje sou o seu canal, tu eres a minha luz, se hoje sou tua luz, tu eres minha inspiração. Eres a sutileza que acalma a minha pressa, e a surpresa que move pouco a pouco o meu mundo. Eres a esperança sem pretensão, a complexa simplicidade do ser.
Hoje sou mais sorrisos do que palavras, olhares do que dizeres, certezas do que afirmações. Sou um coração que se abre em fresta de luz, que pulsa, vibra, e que se permite penetrar por essa energia. Em comunhão com a mente, o coração reina no peito como a mulher reina no lar, e ambos coexistem no mesmo espaço, da mesma forma que para o universo, pelo menos por um momento, formamos um só ser.
Luz a Vida
É claro, não existe certo e errado, já sabemos disso não? Já sabemos também que a escolha é um processo dualista da mente, alguns diriam que é o próprio e o único pecado original. A escolha é um conceito a ser superado, transcendido (como todos os outros), porem se definirmos a própria escolha como má, negativa, estamos apenas continuando o antigo processo dualista, expandimos o ciclo, porem a própria experiência cíclica ainda esta lá.
A escolha não é o problema, mesmo que não saiba estais alem da escolha, tu não és nem a própria escolha nem aquele que a escolhe, é no máximo o plano onde tudo isso acontece. Libertar-se da necessidade de escolha e da aflição vinda disso pode ser divino e talvez um ponto realmente útil a ser alcançado, porem isso também não é necessário! Não é o único meio! Talvez seja até natural que isso ocorra, o que é ótimo, mas não obrigatório.
O nosso mundo, pelo menos da forma como enxergamos hoje, tem natureza dualista, se não fizermos escolha alguma não teremos mais comunicação e acesso a ele, será apenas inércia, será a própria morte! Tu transcenderás a experiência cíclica sem mais ter acesso ao próprio ciclo e aos que ainda estão nele, talvez sem nem acesso ao que até então você conhecia por si mesmo e a todas as suas camadas intimamente conectadas que tem ligação direta a esse mundo, dualista.
Sabes que nada existe de verdade? Que tudo que passa em sua mente é pura ilusão? Ok, mas não deixe de sonhar, faça aquilo que sua mente ou seu coração lhe disser e apenas veja os resultados. Não queira ter a resposta certa a todas as perguntas, não ache que ira miraculosamente para o paraíso devido a qualquer transcendência de paradigmas, você apenas ganhou um maior leque de ação, agora se continuar sem nada fazer como única opção válida, isso terá outro nome, será suicídio.
Estar alem do jogo não impede de jogá-lo, não tenha medo do jogo! Talvez se perca de novo nele, isso acontece e já aconteceu outras vezes, mas você sempre esteve ai, sempre esteve alem de tudo isso de uma forma ou de outra.
Às vezes é preciso se perder ainda mais para se achar como nunca antes.