Os bons Extremistas
Visto pela maioria como algo negativo, o extremismo é comumente ligado ao dogmatismo, ao fanatismo e à tentativas de imposição de opiniões e estilos de vida, ou seja, quando chamamos alguém de extremista normalmente queremos dizer que aquela pessoa ficou obcecada por uma idéia, se fechando a todas as outras, muitas vezes tentando convencer a todos para sua verdade absoluta.
Esse é mais um caso onde a cultura popular trabalha e molda expressões de acordo com nosso dia a dia, porem, em sua bagagem etimológica, o extremismo não carrega nenhum desses valores unilaterais e absolutos, possuindo inicialmente apenas a idéia básica de se atingir os extremos de uma linha ideológica, doutrinária ou de raciocínio, não sendo necessário para isso ficar obcecado e se fechar a opiniões contrarias.
Como exemplo de um uso etimológico puro de um extremista, podemos visualizar um fotografo, não um simples fotografo, mas um que botou em sua cabeça o desejo tirar a mais linda das fotos do pôr do sol, que para isso gastou um bom tempo estudando os melhores locais, ângulos, geografias, e após muita pesquisa chega à conclusão que o melhor local é o pico conhecido como o mais alto do planeta, que se encontra quase do outro lado do globo de onde mora, sendo que para tirar a foto precisará realizar uma grande excursão, longas viagens internacionais, escaladas em terrenos perigosos com altos níveis de mortalidade, e claro, sem o dinheiro necessário para conforto, tudo isso para tirar a foto perfeita, de um modo que nenhum outro fotógrafo jamais tinha feito antes.
Ou seja, o termo extremista, quando livre de todos os valores populares que lhe agregaram, é usado para todo aquele que sai do comportamento médio, normal, que alveja os limites do que já foi feito ou pensado, indo aos extremos do pensamento humano, é aquele que faz a diferença e se desprende dos limites, que na maioria das vezes existem apenas em nossa própria mente.
Não é muito difícil, porem, entender o motivo das conotações negativas aos extremistas, sendo facilmente reconhecidos pelo menos dois motivos:
Primeiro ponto: para conseguir algo novo é muitas vezes necessário contradizer muitos dos conceitos atuais fortemente estabelecidos, desmentir ou contradizer figuras grandiosas, nomes constantemente prestigiados, quebrar tabus e etc, etc, sendo somente esse primeiro passo o bastante para trazer má fama a aqueles que ousam quebrar essas barreiras, pois o rompimento com esses padrões previamente estabelecidos simplesmente desagrada aqueles que estão confortáveis nessa realidade. Chamaram todo aquele que ir contra a corrente de louco, subjugarão suas idéias, sua pessoa e seus méritos.
Porem, isso não é o pior, o maior dos problemas esta nos próprios seres humanos que extrapolam os limites, pois para sustentarmos toda essa quebra de paradigmas e condicionamentos sociais, junto com toda a oposição que geralmente é criada, acabamos por nos prender a outros e novos paradigmas. Em vez de permanecer com nossa mente aberta, ficamos obcecados pelas descobertas, maravilhados com as conquistas, tomando esse novo conhecimento e descobertas como o novo absoluto! Mesmo quando os objetivos são nobres e em busca de um bem maior, nossos egos podem ser tão inflados que facilmente nos colocamos como o messias de uma nova era, senhores de uma nova verdade absoluta e definitiva.
Vejam, o problema não esta em ter um ideal distinto e claro ou em acreditar nos seus sonhos, indo até o fim de uma idéia, mas sim no fanatismo, na imposição, na não aceitação de outros ideais, caminhos e verdades. No final, a maior parte de todos os nossos problemas estão em nosso próprio ego.
Tomando os devidos cuidados, tendo em mente os riscos envolvidos e se afastando do absolutismo, não há o que temer, os extremos são nosso alvo, eles podem e devem ser alcançados, pois sem isso não sairemos da mediocridade!
Não fosse nossa capacidade de extrapolação poderíamos estar ainda batendo em pedras e vivendo como nômades em cavernas, apenas sobrevivendo, dia após dia, lutando pela próxima refeição!
Sejamos todos bons extremistas, no sentido mais puro da palavra!
março 14th, 2011 - 23:18
Conhecer os extremos a meu ver nada mais é do que se permitir e todo ser que realmente se permite de forma plena e intensa é automaticamente julgado pelos que estão à sua volta, o que creio ser mera defesa em relação aos monstrinhos interiores que cada um de nós carrega. Viajar é preciso e creio que a viagem mais básica e complexa está dentro de nós mesmos e este primeiro passo se dado com franqueza traz a clareza suficiente para compreender tópicos como este que você expôs agora.
Como sempre digo questionar é manter-se vivo e este tópico deve estar sempre presente como alvo ou como resultado. Mas esteja dito; até mesmo os bons extremistas acabam por se perder vezes dentro vezes fora de si mesmos, cautela.