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10mar/11

Os bons Extremistas

Visto pela maioria como algo negativo, o extremismo é comumente ligado ao dogmatismo, ao fanatismo e à tentativas de imposição de opiniões e estilos de vida, ou seja, quando chamamos alguém de extremista normalmente queremos dizer que aquela pessoa ficou obcecada por uma idéia, se fechando a todas as outras, muitas vezes tentando convencer a todos para sua verdade absoluta.

Esse é mais um caso onde a cultura popular trabalha e molda expressões de acordo com nosso dia a dia, porem, em sua bagagem etimológica, o extremismo não carrega nenhum desses valores unilaterais e absolutos, possuindo inicialmente apenas a idéia básica de se atingir os extremos de uma linha ideológica, doutrinária ou de raciocínio, não sendo necessário para isso ficar obcecado e se fechar a opiniões contrarias.

Como exemplo de um uso etimológico puro de um extremista, podemos visualizar um fotografo, não um simples fotografo, mas um que botou em sua cabeça o desejo tirar a mais linda das fotos do pôr do sol, que para isso gastou um bom tempo estudando os melhores locais, ângulos, geografias, e após muita pesquisa chega à conclusão que o melhor local é o pico conhecido como o mais alto do planeta, que se encontra quase do outro lado do globo de onde mora, sendo que para tirar a foto precisará realizar uma grande excursão, longas viagens internacionais, escaladas em terrenos perigosos com altos níveis de mortalidade, e claro, sem o dinheiro necessário para conforto, tudo isso para tirar a foto perfeita, de um modo que nenhum outro fotógrafo jamais tinha feito antes.

Ou seja, o termo extremista, quando livre de todos os valores populares que lhe agregaram, é usado para todo aquele que sai do comportamento médio, normal, que alveja os limites do que já foi feito ou pensado, indo aos extremos do pensamento humano, é aquele que faz a diferença e se desprende dos limites, que na maioria das vezes existem apenas em nossa própria mente.

Não é muito difícil, porem, entender o motivo das conotações negativas aos extremistas, sendo facilmente reconhecidos pelo menos dois motivos:

Primeiro ponto: para conseguir algo novo é muitas vezes necessário contradizer muitos dos conceitos atuais fortemente estabelecidos, desmentir ou contradizer figuras grandiosas, nomes constantemente prestigiados, quebrar tabus e etc, etc, sendo somente esse primeiro passo o bastante para trazer má fama a aqueles que ousam quebrar essas barreiras, pois o rompimento com esses padrões previamente estabelecidos simplesmente desagrada aqueles que estão confortáveis nessa realidade. Chamaram todo aquele que ir contra a corrente de louco, subjugarão suas idéias, sua pessoa e seus méritos.

Porem, isso não é o pior, o maior dos problemas esta nos próprios seres humanos que extrapolam os limites, pois para sustentarmos toda essa quebra de paradigmas e condicionamentos sociais, junto com toda a oposição que geralmente é criada, acabamos por nos prender a outros e novos paradigmas. Em vez de permanecer com nossa mente aberta, ficamos obcecados pelas descobertas, maravilhados com as conquistas, tomando esse novo conhecimento e descobertas como o novo absoluto! Mesmo quando os objetivos são nobres e em busca de um bem maior, nossos egos podem ser tão inflados que facilmente nos colocamos como o messias de uma nova era, senhores de uma nova verdade absoluta e definitiva.

Vejam, o problema não esta em ter um ideal distinto e claro ou em acreditar nos seus sonhos, indo até o fim de uma idéia, mas sim no fanatismo, na imposição, na não aceitação de outros ideais, caminhos e verdades. No final, a maior parte de todos os nossos problemas estão em nosso próprio ego.

Tomando os devidos cuidados, tendo em mente os riscos envolvidos e se afastando do absolutismo, não há o que temer, os extremos são nosso alvo, eles podem e devem ser alcançados, pois sem isso não sairemos da mediocridade!

Não fosse nossa capacidade de extrapolação poderíamos estar ainda batendo em pedras e vivendo como nômades em cavernas, apenas sobrevivendo, dia após dia, lutando pela próxima refeição!

Sejamos todos bons extremistas, no sentido mais puro da palavra!

Comentários (1) Trackbacks (1)
  1. Conhecer os extremos a meu ver nada mais é do que se permitir e todo ser que realmente se permite de forma plena e intensa é automaticamente julgado pelos que estão à sua volta, o que creio ser mera defesa em relação aos monstrinhos interiores que cada um de nós carrega. Viajar é preciso e creio que a viagem mais básica e complexa está dentro de nós mesmos e este primeiro passo se dado com franqueza traz a clareza suficiente para compreender tópicos como este que você expôs agora.
    Como sempre digo questionar é manter-se vivo e este tópico deve estar sempre presente como alvo ou como resultado. Mas esteja dito; até mesmo os bons extremistas acabam por se perder vezes dentro vezes fora de si mesmos, cautela.


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