Tao Blog Em busca do Conhecimento

6mar/12

A Comunhão do Todo

Um novo paradigma, um novo dia, de um novo mês, de um ano novo na constelação deste novo ser.

Um sorriso no rosto, uma brisa na alma. Um punhado de manifestações físicas desencadeadas. Cada ponto presenciando o fluxo límpido e sutil de uma energia não nova, mas agora presencial, antes velada pela a mente, sem conhecimento de causa. Uma mente hoje mais desperta, passiva, observadora, recebendo desse fluxo um novo alento, um novo estilo de pulsar em palavras e idéias.

Sensações. A atenção, e não mais a tensão, impera no deleitar deste reino conquistado à pouco, deste castelo físico e carnal de receptáculos nervosos, que enraízam às entranhas do corpo e da alma, que ligam o todo indivisível que somos, partes desse todo que antes insistiam em se desfigurar em corpo, alma, mente e coração.

Um grito ensurdece a opressão. Um som visceral surge com a intensão natural de romper com as programações, pré-definidas por um mundo lá for, que insiste em suprimir o que não eu, mas Deus criou. Mas sou meu próprio algoz, e assim sendo, serei também meu próprio redentor. Tenho assim o poder de ser grande, e inteira.

Assim descansa em paz essa mente antes inquieta... Permitindo que este coração novato, mas perfeito em sua intensão, te cuide de corpo e alma; alia-te a esta conexão, e relaxa nessa entrega, nesta comunhão em prol da harmonia de ser íntegro e indivisível.

Deste momento, a vida começa e recomeça; termina e reinicia. Deste momento em diante, sou o momento, sou o que quero, sou o que sou, sou o que mereço, sou tudo, sou o todo.

21fev/12

Mente e Coração Despertos

Cada um ao seu modo, cada um com suas potencias. Características únicas e igualmente poderosas que não podem ser negadas, muito menos suprimidas. Ainda mais interessante do que a simples coexistência natural deles, é que cada um ganhe consciência do outro, e que o espaço harmônico de livre ação entre eles possa ser preservado sem necessidade de desligamento de um para que o outro atue.

Um não negando o outro, a mente dando espaço ao coração e as emoções como um observador não julgativo ou obstrusivo, e o coração sem passar por cima das sinapses arrastando as percepções da lógica, em uma palavra: harmonia.

Completude pode ser uma palavra ambígua e perigosa se usada ao leu sem perceber suas implicações, mas tomando os devidos cuidados, ela talvez seja a que melhor descreva a sensação que se tem ao atuarmos através de nossas potencias inerentes antes negadas. Prazer, essa talvez seja a segunda palavra para descrever tudo isso, iniciada com acolhimento e confiança, pela lucidez ao se ultrapassar a ilusão aprisionante dos medos, na leveza do ir e vir nessa deliciosa caminhada interior.

Se entregando um ao outro dando luz à vida, dando prazer ao próximo e a si mesmo a capacidade de sorrir de tudo e de todos, novamente como uma criança, independente de todos os importunos que apareçam em nossa vida.

Felicidade não é uma dádiva, é uma potencia a ser trabalhada, é a trilha, o meio, o fluxo pelo qual todos os outros caminhos surgem e correm cada vez mais rápido. Sem esperar recebermos resquícios dessa fonte, nos tornamos seu gerador, para nos mesmos e para todos a nossa volta.

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13fev/12

Do Coração para a Mente

Aos poucos percebemos que a energia nunca flui em uma só direção, pelo mesmo caminho que veio ela também volta e surgem os ciclos, dos ciclos surge a vida. Cada fase e cada estado são únicos, com suas potencias e qualidades, por vezes inexplicáveis ou até inatingíveis pelos outros, mas ainda assim sinergéticos entre si quando houver respeito e espaço de ação para cada um livremente.

A nossa era atual apostou sua energia e atenção nas potencias da mente, mas não contente, junto com isso negou todas as outras, transformando a lógica humana em uma ditadura controladora da massa emocional, o um para tudo fazer e todos controlar, esquecendo de tudo que os outros têm para oferecer quando libertos. Cartase, essa é explosão energética da revolução interior, é nosso coração exigindo sua liberdade a muito negada, dizendo não a opressão das qualificações lógicas, pelo direito de trabalhar do seu modo.

Harmonia é sinônimo de respeito, pois é o que ganhamos quando permitimos que cada camada de nosso ser atue livremente, sem partir de um pressuposto, sem a obrigação de se chegar a qualquer lugar especifico. Porem, por mais que muitos confundam, harmonia não é sinônimo de equilíbrio: não se trata de igualdade, não se espera que cresçam igualitariamente, por vezes um se expandira muito mais que o outro e impedir isso é dizer não a evolução, mais que isso, é oprimir aquele que quer e pode ser ainda mais do que antes.

Da mente para o coração, do coração para a mente, da Shákit para o Shiva e vice-versa: sinergia. Pelo direito de livre ação de cada potencia e pela nossa capacidade búdica de multiplicá-las.

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9fev/12

Da Mente para o Coração

Como é sermos capazes de explicar o que sentimos? Como racionalizar um sentimento que é o motivo de nossa criação, que nos move no ontem, no hoje e no amanhã, mesmo sem que percebamos? Como descrever essa descoberta de algo que já nos pertence desde sempre, e que hoje nos encanta, que transborda sem motivos maiores.

Felicidade, benção, gratidão... que palavras usar para deleitar os ouvidos e olhos de outrem com essas sensações? É uma experiência onde se fala o que sente, para que se sinta o que é falado. Mas seriam minhas palavras mais poderosas, do que outra forma diversa de transmitir, o que o meu ser sente? Não quero que estas percam sua força diante desse coração que desabrocha em flor, mas sei que jamais perderiam, pois falamos de algo maior, de sinergia, onde mais do que se soma, onde novos produtos dessas emoções são criados, e onde nada perde sua importância, tudo faz parte de uma beleza íntegra e mutável ao mesmo tempo.

Mas hoje, algo mais nos liga além de palavras, pensamentos, idéias em comum. Hoje a palavra chega a hesitar entre tantos sorrisos, e é quando os olhos tomam conta. Tu retornas a ser o menino dos olhos simétricos novamente, mas agora com algo mais entre este espaço que não nos separa, mas nos une. Sutil conexão, arrebatadora atração, difícil de explicar, fácil de entender. Tanto meus olhos disseram a ti... se entendestes, não sei, mas por esta porta, pude ver que tua alma me recebeu de braços abertos. E o sentido das coisas se revelou por si só.

O sentido da existência, o sentido do sentir, a sabedoria de nosso corpo e do nosso espírito desperta diante de tamanha chuva de amor e querer, diante dessa conexão, desse penetrar de energia de um ser ao outro, até onde não existe mais limite de separação. Se hoje sou o seu canal, tu eres a minha luz, se hoje sou tua luz, tu eres minha inspiração. Eres a sutileza que acalma a minha pressa, e a surpresa que move pouco a pouco o meu mundo. Eres a esperança sem pretensão, a complexa simplicidade do ser.

Hoje sou mais sorrisos do que palavras, olhares do que dizeres, certezas do que afirmações. Sou um coração que se abre em fresta de luz, que pulsa, vibra, e que se permite penetrar por essa energia. Em comunhão com a mente, o coração reina no peito como a mulher reina no lar, e ambos coexistem no mesmo espaço, da mesma forma que para o universo, pelo menos por um momento, formamos um só ser.

6fev/12

Luz a Vida

É claro, não existe certo e errado, já sabemos disso não? Já sabemos também que a escolha é um processo dualista da mente, alguns diriam que é o próprio e o único pecado original. A escolha é um conceito a ser superado, transcendido (como todos os outros), porem se definirmos a própria escolha como má, negativa, estamos apenas continuando o antigo processo dualista, expandimos o ciclo, porem a própria experiência cíclica ainda esta lá.

A escolha não é o problema, mesmo que não saiba estais alem da escolha, tu não és nem a própria escolha nem aquele que a escolhe, é no máximo o plano onde tudo isso acontece. Libertar-se da necessidade de escolha e da aflição vinda disso pode ser divino e talvez um ponto realmente útil a ser alcançado, porem isso também não é necessário! Não é o único meio! Talvez seja até natural que isso ocorra, o que é ótimo, mas não obrigatório.

O nosso mundo, pelo menos da forma como enxergamos hoje, tem natureza dualista, se não fizermos escolha alguma não teremos mais comunicação e acesso a ele, será apenas inércia, será a própria morte! Tu transcenderás a experiência cíclica sem mais ter acesso ao próprio ciclo e aos que ainda estão nele, talvez sem nem acesso ao que até então você conhecia por si mesmo e a todas as suas camadas intimamente conectadas que tem ligação direta a esse mundo, dualista.

Sabes que nada existe de verdade? Que tudo que passa em sua mente é pura ilusão? Ok, mas não deixe de sonhar, faça aquilo que sua mente ou seu coração lhe disser e apenas veja os resultados. Não queira ter a resposta certa a todas as perguntas, não ache que ira miraculosamente para o paraíso devido a qualquer transcendência de paradigmas, você apenas ganhou um maior leque de ação, agora se continuar sem nada fazer como única opção válida, isso terá outro nome, será suicídio.

Estar alem do jogo não impede de jogá-lo, não tenha medo do jogo! Talvez se perca de novo nele, isso acontece e já aconteceu outras vezes, mas você sempre esteve ai, sempre esteve alem de tudo isso de uma forma ou de outra.

Às vezes é preciso se perder ainda mais para se achar como nunca antes.

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31jan/12

Transcendência

Estamos próximos demais do jogo, encarnamos todas as suas facetas e possibilidades, conhecemos todos os seus percursos e possibilidades, iluminamos bem os caminhos, mas esquecemos, simplesmente não nos vem mais a cabeça as possibilidades alem do que conseguimos visualizar.

Não nos ensinaram que aquele jogo é apenas mais uma possibilidade, não nos disseram que o vemos no espelho de nossa existência muda, esta sempre mudando, e que estamos muito alem do nosso trabalho, ações e de tudo que manifestamos, que podemos ser tudo isso e muito mais, ao mesmo tempo que não há necessidade de ser nada disso, não é necessário falar, pensar, agir ou representar, mas mesmo assim podemos manifestar cada uma dessas facetas livremente, transitando por cada um desses eventos.

Estamos alem, alem de cada coisa que enxergamos ou sentimos de qualquer forma, alem de qualquer movimento ou manifestação que um dia esteve envolvido, alem de qualquer jogo, de qualquer regra, trabalho ou identidade que um dia tenha direcionado.

Estamos alem de certo e errado, vida e morte, iluminação ou ilusão. Tudo isso passa, você continua, e visualize ou não, perceba, lembre, esqueça, você sempre esteve alem disso. Nesse exato momento você pode mudar tudo, de ponta cabeça ou de qualquer forma ou qualquer direção, sim você pode, sempre pôde e sempre vai poder. Sempre vai poder. Todos podem.

Todos os caminhos são igualmente válidos, vem e voltam ao mesmo lugar.
Sem uma verdadeira lógica ou coerência, nunca houve necessidade.
Transcenda.

19jan/12

O Primeiro Passo

Desde pequenos fomos treinados apenas a pensar, não o livre pensar, nos ensinaram que inteligência é pensar de certo modo, existem modos certos de pensar, o correto nos foi ensinado como pré-existente, o caminho é único. O teste é de múltipla escolha, mas apenas uma delas esta certa.

Fomos condicionados a calculadoras, dados entram e solução sai, tem de sair e tem de estar certo, não pode ser meio certo, o controle é obrigatório e a felicidade não é uma dádiva, na verdade a felicidade nunca foi desse mundo segundo alguns. A Felicidade esta no futuro onde algo será alcançado, aliás, você já sabe, algo tem de ser alcançado, algo tem de ser feito, mas claro, algo certo e feito da maneira certa.

A felicidade é uma cenoura, esta sempre à frente, você a terá quando você chegar lá, se chegar e se chegar direito, caso contrario não a merecera! Na verdade mesmo suprindo todas as condições só poderá dar uma lambida nela, e isso se for rápido! Se piscar ela já se foi novamente, você não foi ágil o bastante, na verdade não é bom o bastante nem para ser feliz (seu medíocre).

E o melhor de tudo isso é que mesmo quando percebemos essa zona já estamos fodidos, condicionados a essa merda, presos nessa cadeia, nesse ciclo infernal correndo atrás do próprio rabo. Fomos condenados a uma formação infernal, condicionados a uma vida de infelicidades e inflexibilidade sem consciência dos problemas que isso poderia representar! Mudar é impossível agora, ou no mínimo difícil demais para um ser humano normal! O mundo vai acabar antes de conseguirmos superar tudo isso, desabara em uma autodestruição sistemática...

(...)

Percebe? Tudo isso acima é uma mente obscura cheia de traumas e problemas olhando, talvez pela primeira vez, para si mesma. Ela percebe seus limites, impotências e algumas origens do que a levou a tudo isso, atingindo o que alguns poderiam chamar de primeiro grau de iluminação, mas ainda assim ela ainda é a mesma mente obscura cheia de traumas e problemas sem saber o que fazer, o que é um problema já que foi treinada a sempre ter que fazer algo. Consciência por si só não resolve nada.

Apenas dizer para si mesmo de modo racional "você não precisa, não é obrigado a fazer nada, se não há certo ou errado tudo é da lei" normalmente não é o bastante. A mente ainda vai se fechar em encruzilhadas como "mas matar é errado", sem entender o verdadeiro sentido da transcendência desse ponto. Mesmo que racionalize e faça disso um mantra diariamente repetido talvez não sirva de nada.

Nessas horas é que a maioria das tradições espiritualistas não dualistas ainda vem com ensinamentos de ações certas, corretas e lúcidas, pois a mente que já esta em certo colapso existencial ainda precisa de instruções e coisas corretas a serem feitas. Pode funcionar, mas isso é ainda dar pequenas doses a um viciado na esperança que isso se resolva apenas com o tempo enquanto faz terapias de longo prazo, afinal você ainda tem infinitas reencarnações para se curar completamente. Claro, existe o caminho rápido, você pode se tornar um monge, simplesmente fugir do mundo e meditar 24 horas por dia! Eu disse 24 horas por dia, o que inclui a noite em sonhos lúcidos. Medite, medite e medite.

Nada disso é errado, mas do mesmo modo como esse não é o único jeito de se tratar fortes vícios, esse também não é o único meio de se trilhar um caminho intermediário ao não dualismo até atingir o samadhi, mahamudra, iluminação completa ou simplesmente a felicidade plena. Só por que alguém ou um grupo conseguiu atingir algo de determinado modo não quer dizer que seja o único, melhor e nem o mais indicado genericamente para a maior parte da população mundial atual. Sempre existe uma maneira mais bizarra de se atingir alguma coisa e ainda conseguir resultados ainda mais interessantes, afinal as possibilidades são incessantes.

Se o objetivo, pelo menos inicialmente, é sair desse ciclo ‘infernal’ sendo que você não consegue transcender as necessidades, ser feliz por simplesmente existir e fazer o que quer livremente, você pode ao menos se mover de maneira diferente! Quebre o ciclo ao menos pela mudança de direção, de a cara a tapa, arrisque coisas novas! Afinal não adianta querer resultados diferentes fazendo a mesma coisa! É simples assim, esse é o primeiro passo.

17jan/12

Entre Crianças, Sábios e Loucos

Três seres aparentemente tão diferentes compartilham pelo menos de uma coisa em comum: estão fora do jogo. Pelo menos fora do daquele padrão, o medíocre do nosso dia a dia, o normal. Um ainda não tem jogo, outro faz seus próprios jogos e outro não tem nem vai ter um para si, pelo menos não que dure muito.

Crianças são puras, pura liberdade, potencial germinante, o jogo que vier ela joga de bom grado, e quanto menos você as obriga a isso, mais elas correm atrás. Elas fazem o que querem, mas não julgam o que vem, ela simplesmente fazem, sem preconceitos ou obstrução o que entra sai, e sai melhorado, com mais criatividade e paixão. Tudo que a criança faz é vivo, o riso e o choro têm a mesma potencia sincera, assim como sua capacidade de seguir e se deixar levar.

Loucos estão fora do jogo, pelo menos do nosso joguinho padrão, pois simplesmente não faz sentido para eles, ou talvez nem mesmo saibam dele, talvez estejam presos a qualquer outro jogo, ou simplesmente não joguem jogo algum. Talvez estejam continuamente criando ou pegando jogos por ai, talvez tenham alguma disfunção física/cerebral, talvez tenham plena consciência de tudo isso, até mais que qualquer lúcido por ai, acabando por um dia se tornar o próximo grande sábio, louco por saber que nada sabe e a coerência ser a maior de todas as piadas, ou talvez não. Do louco não se espera nada, e poucos sabem a bênção que isso pode ser, alguns talvez estejam loucos pelo puro prazer desse estado.

Já os sábios estão alem! Seja pela experiência da prática ou por algum processo de iluminação, eles estão além da normalidade, o medíocre já não lhe é suficiente e agora fazem o seu próprio jogo! Nem todos os sábios realmente transcenderam, muitos apenas tem uma visão mais ampla do todo, viajados e experientes, sabem dos macetes, conhecem suas falhas e podem te falar o que deveria ser feito. Melhoram aquilo que já existe.

Alguns sábios se desconectam completamente da magia do um jogo para todos jogarem, ganham com isso boa autonomia para criar além do que se conhece, mas nem sempre vão muito longe disso, muitas vezes eles observam de cima forjando seu próprio um anel, aquele que será o novo jogo ultimo para todos jogarem. Pelo bem ou pelo mau assim continua o grande ciclo, o jogo recomeça.

Há também uma transcendência perigosa, onde o limiar entre o louco e o sábio quase se perde e não existe mais nenhum jogo, pelo menos não um ultimo, claro que isso não é uma regra, se é que há realmente alguma regra entre os sábios, pois há quem diga que o verdadeiro sábio esta além de todas elas. Alguns têm até por objetivo não ter regras ou jogos, voltar ao estado original infantil e germinativo, até quem sabe no caminho liberar mais algumas almas da auto-enganação. Mas afinal, não seria esse apenas mais um jogo? E qual o problema se for?

Nosso potencial de aprender, forjar ou transitar entre os jogos, mesmo que inerente, se vai no momento que ele se torna real demais, junto com o jogo vem o jogador e nesse momento ganhamos uma identidade, claramente anexada de direitos e deveres, afinal todos sabem, eu sou o homem que tem de manter a casa, o profissional sempre atualizado com as melhores praticas, o cara legal e interessante da turma que só fala coisas engraçadas, e como não poderia deixar de ser, o amante perfeito que todas as mulheres sempre sonharam, e mesmo que eu não faça metade disso, ao menos tenho de sustentar a pose e manter o que me resta de controle e dignidade! Veja bem, eu não sou louco, sei que não sou sábio, e já não sou mais criança faz tempo. Certo?

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6jan/12

Livre Ação no Mundo

Há quem diga que os únicos seres realmente livres são os loucos, deles nada se espera, tudo é possível e julgar suas ações é considerado perda de tempo, nós os perdoamos, pois claro, tolos, não sabem o que fazem. Talvez os mais próximos disso sejam os palhaços, além da liberdade eles têm sua licença poética, que lhes da à permissão para serem espontâneos sem serem julgados por isso, pelo menos até que tirem suas mascaras e voltem para a vida real.

Muito se fala em diversas tradições sobre ações lúcidas ou corretas sobre o mundo, porem esse tipo de ação ainda está a um nível abaixo ao do palhaço ou do louco no que se diz respeito à liberdade, partindo de princípios cognitivos dualistas, dividindo certo e errado, continuando nossa cíclica luta pela perfeição.

É muito lindo lutar pelo que se acredita, o próprio extremismo ideológico não é um problema em si mesmo, não há nada de errado nisso, é a sua visão, são os seus meios e suas crenças buscando construir aquilo que você acredita, porem nada disso invalida todas as outras visões, ações e pontos de vista, eles não são errados e nem menos corretos que os seus.

Toda ação, assim como todo e qualquer ser é, por única essência, livre. Essa perda é a primeira e a maior das ilusões, é o cumulo da aplicação da liberdade, perdendo-se em si mesma, tirando de si o que nunca vai embora. E se traduzirmos essa ilusão em palavras, poderíamos facilmente começar por uma: necessidade.

Não, você não precisa fazer nada, essa justificativa é sua, você faz porque quer! Preferia estar fazendo outra coisa em vez disso? Você decidiu abrir mão de alguma coisa que gosta em troca de algo que considera maior, mas isso não é (assim como nada nunca foi) realmente necessário, você decidiu por isso! Não esta feliz com isso, então reveja suas prioridades, o que você mais quer?

Te disseram a vida inteira as coisas que você precisa fazer, desde inicio listaram suas prioridades e desejos válidos, outros te disseram até que você tem de eliminar o desejo, pois é errado! Algum dia já pensou no que você realmente gostaria de fazer? Quando sua mãe não estava mais ao seu lado ou a altura do seu ego você encontrou livros, listas, manuais e hoje em dia até blogs sobre como viver a sua vida. E claro, ame Deus sobre todas as coisas, não se esqueça disso.

E hoje em dia quando colocam duas opções diferentes na sua frente, para inicio de conversa você realmente acredita que há apenas essas duas opções, e a partir dai vem o seguinte: ou você tem uma máxima que te dará certeza absoluta sobre o que fazer, e assim estará tudo certo e resolvido para você e todo o resto esta errado, ou terá uma crise existencial para tomar uma simples decisão e mesmo assim passará o resto da vida perguntando se não fez a coisa errada.

Assim ou você tem muito culhão, coragem e falta de vergonha na cara para fazer o que acredita independente de tudo dar certo ou errado, o que é um ótimo começo, ou você simplesmente transcende esse ponto e entende que a verdade nunca existiu, que apesar de suas ações nunca deixarem de ter consequências, nenhuma delas será realmente boa ou má.

Se existe uma verdadeira utopia nesse mundo é execução completa e definitiva do controle, e a necessidade do controle é a mãe maior de todas as frustrações, pois se controla no máximo aquilo que já foi criado, mas a criação é infinita e incessante, ela meus amigos, ela não tem controle, é o caos, aceite, ame, rejeite ou reverencie.

Mas como aceitar o caos e largar mão do controle totalitário se sua felicidade depende do sucesso, a partir de um único ponto de vista, de suas ações? Tem outra pergunta que talvez seja mais útil então: o que é felicidade? Porem eu ainda ouso fazer outra pergunta: É realmente necessário ser feliz?

Bla bla bla bla bla... Ainda não entendeu? Princípios cognitivos não têm fim, eles são pura criação! Não vai te levar a uma real felicidade independente do que entenda por isso. Triste isso? Mais dualismo! Para, para. Aceita, aceita a vida, aceita o erro, para que continuar lutando se sempre terá outro inimigo para lutar?

Quando você realmente relaxar e a tensão não tiver mais para onde ir, sabe para o que vai acontecer? Você vai gozaaar! Vai gozar na cara do mundo! Vai gozar de cada merda e de cada decisão tomada nessa porra de vida, pois nada mais vai ter sentido, a coerência será a própria piada e só vai existir o gozo.

Então meu amigo, goze! Quando você acabar de gozar a gente continua a conversa, pelo menos você não vai estar mais levando tudo tão a sério e o assunto vai fluir mais facilmente.

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4jan/12

O Pecado Original

Para se haver traição é preciso um tratado, para se haver errado é preciso existir o certo, para se existir a resolução é preciso existir um problema. Passamos a vida buscando fazer o certo, fugindo de traições e resolvendo todos os problemas que aparecem em nossa frente. E quem criou tudo isso?

Quando se acorda um tratado a traição esta inerente, quando se estabelece o certo o errado se assenta a outra ponta sorrindo, e como existiriam problemas sem antes definirem o certo o qual não estamos seguido ou o aquele tratado que acabamos de quebrar?

Ao criarmos novas soluções surgem novos problemas, exatamente ao mesmo tempo novas possibilidades surgem em todas as direções, totalmente fora de seu controle. A resolução será no máximo temporária e depois tudo dará errado, novamente.

E o jogo continuara, ciclicamente, do pecado a divindade, do santo ao pecador, do certo ao errado, da vida até a morte. E a cada geração o homem morre afogado em seus conceitos cognitivos de ideais de certo e errado que nunca serão plenamente implementados.

A humanidade desaparecerá antes de resolver todas as suas questões, buscando a resposta na mesma fonte genitora daquilo que odeia, esperando o profeta que vira com a ultima máxima apocalíptica e a respostas corretas. E seus problemas Ironicamente nunca existiram, estais presos em seu próprio quebra cabeça, maior e mais complexo a cada ciclo existencial.

A única maneira real de não perder é não ganhar, quando se esta além do jogo o resultado não importa, ao se entregar a trama de possibilidades todos os resultados são válidos, quem ganhou ou perdeu é o mesmo ser, o resultado é um intenso orgasmo existencial.

Seu único carcereiro é você mesmo, sua própria criação, livre por única essência, inclusive para prender e enganar a si próprio. Tu és amor, tu és a própria criação, liberdade indiscriminada, incessante, pulsante, fora de controle, caótico, mas infinitamente livre e divino.